PAU NA MESA

Vestibular, Marcelo Adnet e o futuro de carona

Novembro 6, 2009 · 1 Comentário

Salve, fiéis leitores,

Já tá ficando sem graça dizer que “demorou, mas estou de volta”, mas é isso… levou um tempo, mas eis que retorno ao Pau na Mesa. E agora, além de especialista em piadas atrasadas, estou desenvolvendo a nada saudável habilidade de levar quase um mês para fechar um post. Enfim, era uma vez….

Conversinha no banco de trás do ônibus. Em pauta, o futuro. Papo vai, papo vem, o rapaz vira para a moça e constata:

- Ano que vem tem vestibular

- Ah!, no ano que vem quero estar estudando…

Ele disse o que queria fazer da vida, mas não lembro. Ela não tinha certeza, mas mostrou uma inclinação:

- Acho que quero jornalismo, ou algo relacionado a… a comunicação – garantiu sem muita garantia.

- Ciências humanas, então?

- Jornalismo…

- Jornalismo é Ciências Humanas – disse, já com um ar superior.

- Ah!, tá. Mas eu quero fazer teatro também. Já faço no colégio, quero continuar fazendo. Por isso que eu quero fazer jornalismo. Porque ser atriz, sabe como é…

O papo esfriou um pouco e o moleque resolveu apelar para o terror:

- Mas jornalista sofre muito. Você não escreve o que quer. Escreve o que o seu editor, seu redator, seu redator-chefe quer…

- Mas eu quero ser é chefe

- Mas até lá vai sofrer muito – caprichou no tom dramático.

De ponto em ponto, caçando buracos no asfalto, o ônibus caprichou no barulho e perdi um pedaço do diálogo. Quando meus ouvidos voltaram a captar as vozes, o drama já tinha evoluído:

- Fogo é esse negócio do diploma não valer mais nada – deve ter dito a menina (algo por aí…)

- Mas não é assim. Se diploma de particular já não vale quase nada, imagina sem diploma. A lei não é para qualquer um. É pro faxineiro que pega no microfone uma vez e começa a trabalhar. Só privilegia as personalidades. É tipo o Mendigo do Pânico. Ele era boy

Sem argumento, ela resolveu voltar a falar sobre a (falta de) liberdade do jornalista:

- Sabe o Marcelo Adnet? O Marcelo Adnet do Z. É.?

- Marcela o quê? Não sei quem é essa mulher não? – (parei para pensar nisso depois, mas, falando rápido, MarceloAdnet, marceladnet, marceladinê vira Marcela Dinet fácil, fácil. Voltando à conversa…)

- MarcelOOOOO. Não acredito que não conhece. Marcelo Adnet. Muito inteligente! Foda! Do Z. É. A peça. É tipo assim, mais comédia – explicou, com um desdém filho da puta.

- Ah!, Zé… o careca da buzina?

- Não acredito, cara… o Marcelo Adnet . O cara é foda, inteligente demais. Ele é ator também, fez várias participações em vários programas. Até da Globo. Mais foi no Z.É. que o pessoal conheceu mais ele. Aí a MTV deu o “15 minutos” para ele.

- Hmmm…

- É o programa dele. É ótimo. Também é tipo, mais comédia, tem umas músicas e tal… Diz que a Globo tentou comprar ele por bem mais do que ele recebe na MTV, mas ele não quis. Porque ele não ia poder falar o que fala…

- Mas ele não pensa em evoluir na carreira?

- Essa não é a dele, cara. Ele disse que depois quer virar político.

- … sério?

- É sério, ele quer entrar na política… O Brasil vai perder um grande humorista…

- Imagino… pelo menos a política vai ganhar um humorista – arrematou o moleque.

Depois desse comentário espirituoso, levantei, puxei a cordinha para o apito gritar e caminhei com decisão para a porta. Era meu ponto. A piada até que era boa. Ou não.

Bem lembrado. Pois é.

[Bigode]

(Dando crédito, a íntegra do programa de onde tirei o jingle está aqui, aqui, aqui e aqui.)

(E o comentário da mocinha tem fundamento. Veja a entrevista em que Adnet “confessa que quer ser político”.

 

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Bate forte o tambor

Novembro 1, 2009 · 1 Comentário

Salve, amigos

Vocês sabem (e se não tanto, ao menos percebem) que o ritmo deste PAU é outro, talvez uma influência direta do nosso idílio chamado Salvador.

Pois bem, citando o companheiro Bigode, que pretende “virar especialista em piadas atrasadas, comentários fora de hora e as rebarbas da graça” – acredito que a questão do tempo como um todo, sob nossa perspectiva, está aí incutida.

Assim, venho abordar um assunto que soube já é onda há algum tempo no mundinho cibernético há algum tempo, mas do qual só tomei conhecimento há pouco.

A empresa “Do bem” produz sucos 100% naturais em caixinha e para divulgá-los, está lançando clipes no You Tube produzidos por João Brasil.

Brasil é hors concours e merecerá em breve um post. Não sou fã de açaíguardiãzumdebesouroumimãbrancaéatezdamanhã, mas os vídeos (vocês perceberão que dois foram lançados até agora – o aí de cima é o segundo) são muito bacanas.

E tic, tic, tac com meu boi balançando e tudo, é uma coisa profunda, que nos remete à lembranças indeléveis. (#anos90feelings)

[Sicrano]

P.s.1: a trilha sonora deste post está, perdoe-me dona Modéstia, muito bem bolada, má ôe!

P.s.2: para registro, este não é um post pago (não que tenhamos algo contra…), nem pela Do bem, nem pelo Carrapicho em busca de sua reinserção na mídia nacional. Por falar neles, como sei que você ficou com a música na cabeça, ouça (e veja) novamente! (Clique aqui, digo, ali…)

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Emoções

Outubro 18, 2009 · 1 Comentário

Salve, amigos

Lembram da Doutora Havanir? Lembram, ainda, que a caliente senhora estava à cata de um pezinho gelado para chamar de seu, após o passamento do inesquecível Enéas Carneiro?

Pois bem, o tempo passa, o tempo voa, e a Rede TV! continua na vanguarda da bizarrice nacional. Após o Superpop proporcionar o encontro, o Manhã Maior (merda?) mostrou-nos como vai indo a, digamos assim, “lua-de-mel” da sapeca namoradeira e seu escolhido.

O amor é lindo, é uma coisa tão, tão… Para tomar emprestadas as palavras do gênio mor, Machado de Assis: “Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.” Enfim, que as imagens falem por si…

E aí, amaram?

Abraço

[Sicrano]

P.s.1: o que são aquelas duas moçoilas “apresentando” a reportagem? Bom, a presença de uma delas se explica. No fim das contas, pode ser uma dificuldade compartilhada.

P.s.2: mas quer dizer, a mulher de um abre na Rede TV! e a mulher do outro fecha, não necessariamente nesta ordem ou separadamente ou…

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Eu sou cachorro, sim

Outubro 16, 2009 · Deixe um comentário

Salve, amigos

Você acharia legal se fosse convidado para um lugar e quem o convidou fechasse a porta no seu focinho? E, pior, em sendo intimidado pela Justiça para uma audiência, a própria proibisse sua presença?

Pois então, foi isso que aconteceu com o bravo Gideão Favelado Corintiano, canino, quatro patas, maloqueiro, sofredor e com a conta de água atrasada.

Ah, ninguém sabia qual seria a trilha sonora escolhida. Mui original...

Ah, ninguém sabia qual seria a trilha sonora escolhida. Mui original...

Seu dono, o gênio Oswaldo Oliveira, colocou o seu animal de estimação como coautor de uma ação contra o corte de fornecimento de água. Mais detalhes aqui (clique no aqui, mas ali).

Aí, a esperta Sabesp convocou os dois para uma conversa de acordo, mas barrou o animal, no caso o cachorro, na porta. Quer dizer, o bicho quer cumprir suas obrigações e o impedem. Onde vamos parar?

Abraço

[Sicrano]

P.s.1: já sabem, é clicar na figurinha e levar uma lembrancinha…

P.s.2: se leram (e ouviram) com atenção o post, a sabedoria que fica, mesmo fora de contexto, é – “Os pobrema não é a maconha, a maconha tá ali, quietinha…”

P.s.3: este post foi uma contribuição familiar, fraternal.

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“Brown goodgood”

Outubro 8, 2009 · 2 Comentários

Salve, amigos

Venho por meio desta… Bom, como vocês estão cientes, temos toda esta coisa de globalização e tal, ou seja, as culturas se misturam, cruzam e dão cria – umas boas, umas ruins, prevalece o gosto do freguês.

Enquanto o usual é recebermos do “Primeiro Mundo” as canções que devem se tornar nossa trilha sonora, o que nos motiva a fazer versões, para adaptá-las à nossa língua, o processo inverso também é possível.

Ei-lo:

Noves fora a tradução de “Marrom bombom” como “Brown goodgood” – talvez sejam os percalços e dilemas que os versionista vivem diariamente em sua criação, o que leva a uma necessidade de análise mais profunda dos significados da letra – tirem suas conclusões.

Para efeito de comparação, porque não apreciar o original?

Good, good?

[Sicrano]

P.s.: o campeão da versão de pagodes em inglês tem outras obras. Particularmente, acho que o caminho é interessante, mas as versões ainda estão devendo. Mas meu inglês/português não é muito bom…

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As facetas do amor

Outubro 4, 2009 · Deixe um comentário

Salve, amigos

Volto a esta página para falar de amor (parece que estou me encaminhando para me tornar uma espécie de conselheiro amoroso…) ou cara de pau. Nada mais adequado ao Pau na Mesa, não?

Peço aos queridos leitores que relembrem um post do dia 6 de agosto. Se não lembraram, cliquem aqui (e voltem!). Nele, apresentamos o então Pikiucho Solitário, que tentava de diversas formas reconquistar a Ju.

Nada melhor que o Roupa Nova para descrever a situação

Nada melhor que o Roupa Nova para descrever a situação

Desde então, apesar da promessa em contrário, esquemos do cidadão. Por estes meandros que só o acaso poderia explicar, cuidei de verificar a quantas andava o caso e, para minha surpresa – mentira -, a historieta terminou com final feliz, mas o blog, entitulado “Volta Ju” (blog do seu dog que não agüenta mais esse fog de descaso.), continua no ar.

Tanto poder filosófico, do qual vocês tiveram a prova no post anterior, faz pensar sobre a veracidade da história, afinal, tamanho rebuscamento vai de encontro ao sofrimento premente do abandono.

Nestes últimos dois meses, em escala crescente, o Pikiucho acrescentou a “glagla deluxe” expressões como “centopeia (ou minhoca) ensandecida” e “pula pirat” – sem, é claro, revelar do que se tratam; contou que combatia a solidão na base da adoração a Onã; e, apenas reproduzo, “(..) sabe do que eu lembrei? De quando a gente brincava de Comandos em Ação!”.

"Opiniões um pouco mais construtivas"

Enfim, depois de outdoor e anúncios em jornais pedindo a volta de Ju (é sem acento, é sem acento…), ela deixou um recado na secretária eletrônica – “S-O-M-E, some da minha vida” -, ao qual nosso amigo, apesar de certa relutância, assentiu.

Mas eis que de repente, não mais que de repente, contrariando o próprio soneto, surge o milagre: stand up comedy! Sim, queridos e queridas, sob as bençãos de Serginho Mallandro, nosso campeão pediu que Ju, então na plateia do espetáculo, inocentemente, voltasse para ele. E…

… E ele conseguiu! E Pikiucho Solitário transmutou-se em Pikiucho Apaixonado. É o amor? Bem… O ser humano é imprevisíivel, tempo é uma coisa relativa, mas em dois meses passar do ódio à paixão novamente – e durante toda a novela não foi revelado o motivo do rompimento (ele apenas prometia “não mais atender a mãe durante o glagla deluxe gostoso”) – gera suspeitas.

Fica aqui nosso voto de felicidade ao casal. "Spread love"

E a fanfarronice se torna pública quando quem, ninguém menos que Ju passa a aparecer em vídeos no blog. Mais ou menos arredia da primeira vez, com uma espécie de disfarce, é verdade, mas depois vem o “Progama da Ju”. Além do que, os textos da página deixaram a filosofia inicial, trocada depois pela dureza poética do contidiano de sofrimento para se tornar “lek” – não a moeda da albânia, mas a linguagem playson. Ou seja, o blogueiro que cativou o Brasil era uma farsa.

E vida que segue.

[Sicrano]

P.S.: E você já sabe, se tem figurinha, é só dar uma clicadinha…

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Meu guarda-roupas é uma bomba

Outubro 2, 2009 · 3 Comentários

Salve, amigos do Pau na Mesa,

Antes de mais nada, desculpem-me pela ausência aqui por essas bandas. Não digo que isso não vai se repetir, mas, pelo menos, tem uma vantagem. Vou virar especialista em piadas atrasadas, comentários fora de hora e as rebarbas da graça. Não é nada, não é nada… não é grande coisa mesmo. Em todo caso, lá vai.

Quatro dias de preparação para reaparecer após a loja de fogos de artifício explodir e destruir quarteirões em Santo André, matando duas pessoas (chegaram a ser 11, mas parece que ressuscitaram nove nas primeiras horas de cobertura). Enfim, pensou no que ia falar, no que ia negar e no que ia omitir. Mas, na hora de se vestir, não pôde perder a piada.

Depois da explosão, dono da Loja em Santo André se apresenta à polícia

Pois é. Destruição, aniquilação ou assassinato. Um lançamento pra lá de explosivo. Em breve nas livrarias.

Duvido que estivesse só com a roupa do corpo. Até uma camisetinha mamãe-sou-forte tava valendo. Depõe contra, mas a tal camisa surfista-descolada com o inocente wipeout estampado pega um pouco pior.

Presença de espírito (de porco) é uma arte.

[Bigode] sobre observação perspicaz da [Mãe do Bigode]

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Porque é amor…

Setembro 30, 2009 · 2 Comentários

Salve, amigos

Nossa prolongada ausência, mais uma nestes últimos tempos, tem obviamente uma justifica plausível que o caro leitor certamente compreenderá: nenhuma!

Agora que já nos entendemos, voltemos à vaca fria (seja lá o que signifique esta expressão). Fiéis como só vocês poderiam ser, sabem que tendemos à filosofia e, mais do que isso, temos um filósofo neste tripé.

Essa coisa de amor é uma invenção do capitalismo...

Essa coisa de amor é uma invenção do capitalismo...

Sendo assim, dia desses, divagando sobre as coisas da vida (não, a TV Globo não pagou este post para divulgarmos a sua nova novela das oito – mas poderia, e deveria) quando a frase lapidar é proferida.

- Problema não é amar, difícil é ser fiel…

Entre goles de cerveja e moçoilas desfilando no Passeio Público, paramos para refletir sobre tão drástico pensamento e o resultado foi uma espécie de antipropaganda global:

[Para registro: a versão "Calcinha preta" é chata demais. A novela acabou e colocaram o som em uma propaganda que parece onipresente - ou seja, mais chato ainda...]

Abraços.

[Sicrano]

P.s.: o tempo passa, o tempo voa, mas você sabe que é só cilcar na imagenzinha (e se não abrir em outra aba, não custa nada voltar, preguiçoso!).

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Não sei, só sei que…

Setembro 16, 2009 · Deixe um comentário

Salve, amigos

Segue abaixo um causo livremente inspirado em uma experiência vivida por um dos integrantes deste tripé (algume se habilitar a dizer quem?).

Então, como na nossa infância – e eu tenho repetido isso, acho, com alguma insistência -: senta que lá vem a história…

Porque há cobras e cobras...

Porque há cobras e cobras...

Você sabe que eu sou uma pessoa pacífica, não é? Não gosto de confusão, muito menos de relar a mão em alguém ou em um animal. Só que eu tenho sangue nas veias, pô! Já te disse, meu lema é: dou um boi para não entrar em uma briga, mas dou uma boiada para não sair.

- Eu sei, eu sei…

Então, tendo isso tudo em mente, você vai me dar razão no acontecido. Até porque tem outra, se tem uma coisa que eu odeio é falsidade e aí você mistura isso com aquele bicho nojento querendo dar uma de jão sem braço pra cima de mim… Não, não…

- A situação acaba chegando a um ponto em que você tem que agir, senão…

Pois é, é isso! E foi como eu estava te dizendo. Eu lá, quieto na minha rede, sossegado. Minha família tem uma fazenda lá pro meio do mato e eu gosto de ficar meio escondido, entre as árvores, vendo a vida passar de olhos fechados, entende?

... Bateu uma moleza...

... Bateu uma moleza...

- Acho que sim, haha.

Tanta desgraça acontecendo no mundo, é bala perdida, é acidente de carro, é uma nova epidemia, é político roubando, chefe ameaçando te despedir, salário que não dá pra pagar as contas no fim do mês… Haja calma para terminar o dia vivo.

- Acho que é por isso que o Dalai Lama vive isolado a maior parte do tempo…

É por isso que eu vou para o meu templo particular, monto a rede entre duas mangueiras altas, a sombra é boa, a brisa agradável. E nessa época do ano não costumam cair mangas na cabeça. O problema é no verão mesmo, aí o templo fica interditado.

- Pelo menos se tem suco fresco à toda hora.

Mas eu estava ali, quieto na minha meditação, quando ouço um barulho, como algo se arrastando sobre as folhas no chão, sabe como é? O som foi ficando mais próximo e eu vi que era uma cobra, nem rea muito grande, nem do tipo venenosa.

- A natureza é um perigo.

Que nada, eu já estava acostumado com aquilo. Era só pegar um pedaço de pau qualquer e jogar o bicho pra longe. Só que a maldita da cobra percebeu que eu a percebi e parou. Sabe o que aquela tripa fez? Tentou fingir que não cobra!

- Porra, era uma cobra ou um camaleão!?

os olhos de cigana oblíqua e dissimulada

os olhos de cigana oblíqua e dissimulada

Haha, uma mistura… Não, a safada deu uma de dissimulada, querendo me fazer acreditar que ela não estava ali. Isso eu não aguento. Estava prestes a só afastar ela de mim, mas não, ela tentou se fazer de dissimulada…

- E você?

Bom, puto da vida, fui obrigado a pegar um galho maior que havia ali perto e acertar em cheio a cabeça da filha da puta. Não ia se fazer de dissimulada para mais ninguém aquela cobra maldita. Ser cobra eu aceito, agora dissimulada…

- Um brinde!

[Sicrano]

P.s.: preciso dizer? Hehe…

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Povo solidário

Setembro 5, 2009 · Deixe um comentário

Salve, amigos

A frase “O mineiro só é solidário no câncer”, atribuída a Otto Lara Resende (o que ele negava, empurrando-a para Nelson Rodrigues), já foi transformada em uma espécie de ditado popular nacional.

Pois bem, no mês passado, o brilhante Xico Sá atualizou, em seu twitter,  o comentário: “O brasileiro só é solidário hoje no cadarço. Tente andar 100 m com o tênis desamarrado, vai ter sempre alguém pra gritar: ‘Moço, o cadarço!’”.

Fiquei encucado com a observação… E, recentemente, fui personagem da comprovação prática da oberservação feita por Sá na web.

(Senta que lá vem a história…)

Ô, campeão, se conselho fosse bom...

Ô, campeão, se conselho fosse bom...

O centro do Rio de Janeiro, como se sabe, é uma confusão: carros, barulho, gentes se atropelando, mendigos, falta de educação, pessoas andando com guarda-chuvas abertos  sob marquises, enfim, muito com o que se preocupar.

Fui a um banco pagar contas e, na entrada do maldito, o cadarço do meu tênis desamarrou. Pensei: antes de sair, arrumo, já que ficarei a maior parte do tempo por aqui parado mesmo e estou cheio de papéis nas mãos, ainda carregando uma bolsa… Um erro!

Dei dez passos, posicionei-me na fila e o cidadão que estava a minha frente se dirigiu a mim e, apontando: “Ei, o cadarço…”. Dei um sorriso amarelado e disse: “Já vi, obrigado, amarrarei na saída”.

Agora porque eu precisava dar satisfação? Pus na conta do Papa e fique na minha. Dois minutos depois, um senhor duas pessoas atrás de mim na fila, cutucou-me: “Ei, amigo, o sapato tá desamarrado”.  Novo sorriso amarelo e um “Já vi, obrigado”.

A fila não andava e eu sentindo aqueles olhares de agonia, como se eu estivesse descumprindo uma obrigação cívica ao não amarrar imediatamente o diacho do tênis. Mas me mantive inabalável.

Cheguei ao caixa, paguei as contas e quando me dirigia ao banco para amarrar, uma senhorinha, no fim da fila, havia acabado de chegar, estridente: “Ih, olha o cadarço! Cuidado, meu filho”! Só para não dar o gostinho a ela, fiz que não era comigo e passei direto, desisti de amarrar o cadarço na agência.

Sai pela porta giratória e nem deu tempo de olhar para os dois lados da calçada, só para dar aquela respirada. O mendigo escorado na parede mandou, pausamente: “Amigo, o tênis… O cadarço… Aí, não tem um trocado, não”? Passei batido, já irritado, fazendo do cadarço desamarrado minha justificativa para guerrear contra a cidade.

Mais alguns passos para a esquina, o Guarda Municipal veio em minha direção. Tentei escapar, mas não deu: “Aí, parceiro, o teu cadarço aí…” Novo sorriso amarelado…

Enquanto isso, a cidade um caos: era gente furando a fila do banco; gente travada na porta giratória; carros avançando o sinal vermelho; o mendigo mijando nos pés das pessoas; uma velhinha tentando atravessar a rua sem ajuda nenhuma…

Todo passo é uma queda no abismo...

Todo passo é uma queda no abismo...

Estava perdido em meus pensamentos na caminhada quando ouvi um som seco atrás de mim: uma moleque de uns oito anos se estatelou no chão e abriu o berreiro. A mãe, vermelha de raiva, puxava-o pelo braço: “Eu não falei para amarrar o cadarço, peste! Hein?! Eu não falei”?

Avistei um banco cinco passos a minha frente, cautelosamente, como se dirigisse na chuva, fui até ele para amarrar o cadarço do pé direito, obviamente ainda irritado.

[Sicrano]

P.s.1: como vocês já sabem, clicando nas figurinhas, ganham uma lembrancinha.

P.s.2: e para quem chegou até aqui, mais um presente (é um post generoso, afinal…).

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